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Editoriais sobre as condições objetivas e subjetivas da situação política internacional e sua influência no Brasil

Sem os parasitas



2020 tornou-se o ano do "parasita": Desde o nome do filme vencedor do Oscar até um pequeno micróbio que mudou as relações sociais do planeta por tempo indeterminado. 
Os vírus são considerados parasitas intracelulares obrigatórios, pois por si só não são capazes de reproduzir-se. O capital é como o vírus, incapaz de reproduzir a si mesmo sem o trabalho humano. E, no entanto, ele regula todos os aspectos de nossa vida ao necessitarmos vender-lhe nossas horas. Mesmo admitindo que cada um possa ter sua opinião sobre o fato de suas horas de trabalho estarem sendo vendidas de forma justa ou não, todos podemos nos colocar de acordo quanto a não existir nada que possa justificar o trabalho de uns poucos levando-os a acumular bilhões, enquanto o trabalho remunerado de milhões se evapora. 

Isolamento, abrigo, alimentação, higiene e educação em tempos pandêmicos são obrigatórios para achatar a curva de contaminação, conseguindo atender aos casos mais graves pelo sistema de saúde, ao mesmo tempo em que se deve impedir a contaminação do atual sistema. Parar de trabalhar é uma recomendação científica e o fechamento dos postos de trabalho em diversas cidades já é uma realidade. A situação é particularmente grave para idosos e imunodeprimidos, casos nos quais a taxa de mortalidade é muito alta, mas não está descartada a hipótese de que mutações do vírus possam causar morte em mais jovens. Estados Unidos e Canadá anunciaram remunerações governamentais durante a crise e um esforço para que se perdoem as inadimplências, mas as medidas concretas anunciadas ainda não tranquilizam a população e amedrontam ainda mais os não documentados ou novos demitidos.

Nos países mais pobres, com mais problemas sanitários e de moradia é esperada alta taxa de contágio e não se pode garantir que o vírus não sofra variações locais. A necessidade de medidas de estímulo para que as pessoas fiquem em casa durante a pandemia é a única forma de combatê-la. Têm razão os trabalhadores e trabalhadoras de Call Center no Rio de Janeiro. Têm razão as funcionárias da De Millus. Tem razão o governo de El Salvador suspendendo a cobrança de contas durante a pandemia. Têm razão todos que reivindicam aos governos e empresas a sustentação de suas famílias durante a crise. 

Trump apresentou um pacote trilionário, injetando na economia o que o crash do Petróleo tinha tirado de circulação na bolsa de Nova Iorque na semana anterior. Um novo mercado se abre no ramo de biotecnologia. Para o Capital, as crises são oportunidades e os bilionários podem diversificar seus negócios para atividades lucrativas em tempos de crise. No caso do Covid 19, uma ótima oportunidade de reforçar ideologicamente o bipartidarismo dos EUA, que teve suas entranhas expostas por Bernie Sanders como o sistema político dos bilionários. Mesmo que Sanders não foque sua crítica no bipartidarismo, sua vitória em Nevada desencadeou toda uma série de ações contra sua campanha, as quais deixaram bastante evidente que os bilionários controlam os dois partidos e que não hesitam em se unir para manter esse controle. Um político financeiramente independente dos bilionários à cabeça do Império é um risco que o sistema não pode correr. O frenesi da midia estadunidense mudou o foco da corrida eleitoral no Partido Democrata para o covid-19, e isto favoreceu Trump. Aliás, deu um respiro para todos os governos impopulares, principalmente onde manifestações e protestos foram cancelados.

Se o vírus não escolhe as pessoas pela classe social, as medidas governamentais escolhem e, diante da emergência, podem determinar o sacrifício consciente de uma parte da população. No Brasil, esta é a posição de grande parte dos empresários que apoiaram o Golpe e apoiam Bolsonaro. Não obstante, na dinâmica do contágio, são os mais ricos e aquelas pessoas encarregadas pelas relações internacionais de suas corporações e Estados, os principais vetores do contágio em escala mundial. Isto é sabido. E há muitas coisas que já se sabe sobre a pandemia e como lidar com ela. Outras não sabemos, mas podemos inferir que o contágio e os testes não começaram juntos. Antes do primeiro teste qual tinha sido o percurso do contágio? Estas respostas ainda estão à nossa frente. Mas há várias hipóteses que precisam ser analisadas. Uma delas, baseada em evidências, é que o Coronavírus e os outros vírus, antes e depois dele, evoluem a partir do agronegócio e suas formas de cultura parasitárias sobre a natureza. 

O parasitismo sobre a natureza é uma característica da industrialização voltada para a competição. Na competição com a economia não produtiva - a especulação financeira, cujas taxas de remuneração do capital são muito mais atrativas - as indústrias não investem em medidas de proteção e segurança do meio ambiente, como se viu com a Vale privatizada nas tragédias de Mariana e Brumadinho. E isto é decorrente do fato de que a anarquia do mercado, baseada na propriedade privada dos meios de produção, não pode conviver com regulamentações e práticas que inibam os danos ao meio ambiente, pois aumentam o custo da produção. Isto tudo já vinha em discussão com o problema do aquecimento global. Muitos setores bem-intencionados, no entanto, chegavam a condenar a industrialização como principal causa dos danos a natureza. E não poderia ser diferente pois a única industrialização que se conhece é baseada na competição por mercados. A inversão da narrativa em favor dos parasitas da indústria, os absolve, culpando a industrialização pelos danos à vida humana. Os que parasitam a indústria, porém, não são parte obrigatória da industrialização, mas sim de suas relações atuais de propriedade. E isto fica evidente quando estes parasitas não hesitam em largar as indústrias para se hospedarem no mercado de capitais, levando à destruição massiva de forças produtivas. Sua contradição é que, sem extração de mais valia, o capital só se amplia como ficção e, desde o estouro da bolha de 2018, os sintomas mórbidos do sistema têm ganho escala. 

O reboot econômico através da economia de guerra, não deixou de ser necessário ao capitalismo, mas as medidas de contenção da pandemia levam a divergências entre os capitalistas de acordo com sua posição em relação à "velha" e à "nova" economia e à quantidade de capital acumulado. Se os bilionários dos EUA podem e já estão migrando para novos setores de reconstrução após a crise, parte dos capitalistas, seja nos países imperialistas, mas principalmente nas economias periféricas, não se pode dar ao luxo de parar a extração de mais valia durante a quarentena. E, como no Brasil, este setor faz pressão para que o governos não parem os países. Os milhares de mortos resultantes do colapso do sistema de saúde, como foi na Itália, é um efeito colateral que não os preocupa. Ao contrário, desde o Golpe no Brasil já ficou provado que os capitalistas nacionais, como classe, não se importam com as vidas humanas. 

Seja nos países imperialistas ou nas economias periféricas, os parasitas controlam o processo de industrialização de acordo com seus próprios interesses, que são pagar o menos possível pelo tempo dos que trabalham. A diferença fundamental é que este tipo de parasita possui os meios de produzir uma inteligência para si que os apresente como necessários ao desenvolvimento humano e social. Os capitalistas dizem de si, e muitos acreditam, que são fundamentais para que as pessoas possuam empregos e possam sustentar suas famílias. O problema é que isto não é verdade. Para os capitalistas, uma taxa de desemprego alta, como a que existe no Brasil, é uma vantagem na hora de negociar com os trabalhadores seus salários e direitos. E isso não é novo. O exército de reserva de mão-de-obra é uma necessidade do sistema desde que as relações de propriedade nas fábricas se estabeleceram como privadas. No filme "Parasita" demonstra-se a possibilidade de muitas famílias poderem sobreviver com os restos de outras sem que nem se perceba, tamanho o excedente. Porém, não há empregos para quem não se furta a trabalhar. Este é o cerne do capitalismo, suas relações parasitárias de propriedade do tempo humano tornam impossível o pleno emprego. E as experiências mais próximas disso foram muito circunscritas em tempo e em lugares determinados, e ainda foram usadas como propaganda de que não seria necessário acabar com o capitalismo, mas melhorá-lo. 

O que se vê, é que quanto mais parasitária a economia, mais se produzem narrativas que justifiquem o sacrifício das vidas humanas. Na visão dos capitalistas, as pessoas que estão fora do mercado de trabalho, ou indocumentadas, são os parasitas que sobrecarregam os impostos sobre os que trabalham. Mas isto é mais uma inversão da narrativa, uma vez que os trabalhadores pagam percentualmente muitos mais impostos do que os mais ricos, que têm poder de pressão sobre os governos. O que significa que, de fato, existe dinheiro para atender a quem precisa de proteção social sem que sejam os empregados a pagar a conta. A terrível cifra de 1% deter a mesma riqueza que 99% da população mundial é prova disso. E a pandemia só aumentará a base da pirâmide e reduzirá o topo, se as medidas tomadas durante a crise forem decididas pelos mesmos que causaram a crise.

A verdade é que o colapso do sistema capitalista internacional e suas instituições já estava em curso antes da pandemia e alguns setores imperialistas já se preparavam para a implantação de uma economia de guerra, que poderia - ao destruir mercados - levar a um novo momentum de reconstrução. Em especial, setores que defendiam o fechamento de fronteiras dos países imperialistas aos refugiados das guerras e da miséria foram atendidos. A pandemia, independente da origem do vírus, veio a calhar.

Numa economia de guerra contra um vírus parasita, a indústria humana poderia se voltar para a produção de vacinas, equipamentos e materiais que salvem ou protejam vidas, tanto dos contaminados quanto dos que trabalham em serviços essenciais, assim como a proteção da natureza. Mas esta produção é contraditória com a decisão de lucrar com as adversidades, e, por isso, só poderia ser adotada a partir do dimensionamento efetivo das necessidades de saúde e sanitárias da população. O nome disso é democracia.

O vírus levou a população a necessitar que governos a remunerem e tomem medidas que permitam a continuidade dos serviços prestados às residências para que as pessoas possam ficar em casa de forma salubre e, assim, achatar a curva de contágio em todos os países. Está sabido que onde isto não for feito, milhares de vidas serão sacrificadas. Isto é imperativo agora. E isto já justifica a necessidade de mudança dos governos que não agirem assim. Mas o problema não está colocado somente a curto prazo, pois não há nada que indique que - se não se mudarem as práticas capitalistas parasitárias - a humanidade não seja exposta a novas tragédias que poderiam ser evitadas. Mesmo que tentem esconder, as condições insalubres de moradia de grande parte da população mundial se tornou um problema de toda a humanidade e existem meios de resolver todos estes problemas com políticas públicas urbanas e de fixação à terra. O pouco que se faz, quando se faz, como se viu nos governos do PT, já tem resultados impactantes. 

O comportamento do sistema econômico que transformou saúde em mercadoria, no entanto, não permite que os povos se beneficiem dos progressos da ciência, amputando as iniciativas quando partem de nações sem poder no Império mundial dos parasitas. O outro mundo possível sob direção dos capitalistas não pode ser mais inclusivo, somente mais bárbaro. 

O golpe dos parasitas

No Brasil, a anulação e a reversão de tudo que foi aplicado depois do Golpe e até mesmo antes dele, como a privatização da Vale e a Lei de Responsabilidade Fiscal, são formas concretas de proteção da população contra tragédias causadas pelo sistema parasitário. Aqueles que não hesitaram em tornar lei, a mando do FMI, que a responsabilidade do governo seja com o mercado e não com o povo, se livraram do PT no momento seguinte. Dilma foi condenada como irresponsável por priorizar atendimento aos programas sociais. 

Este foi o fato: o rito do impeachment de Dilma transcorreu sob o "crime" de priorizar as necessidades do povo. Independentemente do grau de contágio do boato que expunha Dilma como má governante - e as ciências estatísticas e a física social são capazes de modelar a contaminação de boatos com o mesmo método que modelam o contágio por vírus -, o impeachment aconteceu com base na sua escolha de não atrasar o pagamento dos programas sociais. A infecção golpista se aproveitou da baixa imunidade do governo e Dilma saber o que precisava ser feito não garantiu que fosse feito. Em junho de 2013, Dilma anunciou como única saída - para atender à população e à juventude, que queriam mais do que o governo do PT estava sendo capaz de dar - a Constituinte. E estava certa nisso, pois somente dando voz ao povo se poderia varrer da política os parasitas que se beneficiam de sua desgraça. Não foram varridos, deram o Golpe. Se não estava, agora está claro tudo o que Dilma explicou sobre o Golpe, inclusive sobre o Golpe não gostar de ser chamado de Golpe.

Infelizmente, a resistência (de última hora) ao Golpe se desarticulou depois dele e aderiu à plataforma golpista de não chamar o golpe de golpe. As lideranças dos partidos e organizações que se organizaram em frentes para resistir ao impeachment decidiram virar a página e se concentrar em dois aspectos: oposição parlamentar aos governos (que passaram assim a ser reconhecidos), se possível, turbinada por manifestações de rua, e espera das eleições para mudá-los. Em outras palavras, desgastar Temer e Bolsonaro para a esquerda ter chance de voltar nas próximas eleições ou, no máximo, atribuir ao Congresso golpista a solução para substituição do presidente. Mas se havia e ainda há muito desejo de que isto funcione, os fatos mostram que desejo sem ciência não é suficiente. Ao contrário, usando os mesmos métodos da física social, a Cambridge Analytica conseguiu modelar um método eficiente para vitória em eleições a partir do contágio de boatos (fakenews), no caso brasileiro, com o impulso da mídia golpista e das instituições que prenderam Lula.
Todos que defendiam esperar 2018 para Lula voltar, por mais bem-intencionados que estivessem, não estavam usando métodos de análise da realidade que lhes permitissem dois anos antes prever que, sem um contragolpe, Lula nem nenhum progressista poderia ser eleito em 2018. E o mesmo problema está colocado agora em relação à espera por 2022 ou pela substituição de Bolsonaro pelo Congresso Nacional. 
Seria e continua sendo necessário um movimento que explique  ao povo que o golpe no PT concentra os golpes em cada um ou uma. Faltou e ainda falta explicar que o golpe dos parasitas ceifa vidas, como ceifou a de Marielle. As ferramentas de análise fornecidas por Marx e Lenin somada à indignação das mulheres com a falta de solidariedade a Dilma foram capazes, por sua vez, de produzir um outro discurso que, embora muito minoritário nas organizações, consegue se aproximar mais da realidade popular, combatendo os boatos de que o PT seria o inimigo, desmascarando com fatos, os verdadeiros parasitas. 

Se, em tempos de pandemia, grandes manifestações de rua não são mais apontadas como soluções, na prática, já há algum tempo, os resultados do povo mobilizado na rua vinham sendo manipulados pelos parasitas. As mudanças tão esperadas pelo povo da Argélia e do Chile não vieram, só para citar dois exemplos entre inúmeros. O que permite confirmar o método usado por Lenin como válido: sem programa, sem partido, sem auto-organização, sem direção e sem a formulação de um governo que coloque os interesses do povo em primeiro lugar, levantes populares não atingem o resultado desejado. O espontaneismo das massas tem limites e desejo revolucionário sem ciência revolucionária se torna impotente. 
A grande lição tirada da pandemia é que só se combate os parasitas com conhecimento, informação de qualidade, planejamento e organização. Muita gente resistiu ao golpe em Dilma usando estes métodos e analisando o lugar ocupado pelo Brasil nas mudanças políticas e econômicas mundiais pós-2008. Estas pessoas não se surpreenderam com a pandemia pois já viam a evolução dramática da infecção causada pelos que parasitam a indústria. Afinal, uma infecção que se apropria das horas de vida do corpo social e que torna obrigatório ao indivíduo vender suas horas para ter direito à vida, torna o desemprego a maior perseguição para a classe trabalhadora. O companheiro Lurobe, que não se cansa de repetir isso, está entre os que viram, no Brasil, a barbárie chegar na forma de perseguição política ao PT.

Socialismo ou barbárie nunca foi uma bravata

A infecção capitalista é tão grande que atinge os desejos e muitos passam horas sonhando em vender suas horas a um capitalista que os remunere muito bem ou em trabalhar por conta própria por não suportar as relações parasitárias que observam em seu emprego. Mas estes não teriam nada a temer no socialismo, pois a produção industrial planejada com pleno emprego só pode ser solucionada pela propriedade social dos meios de produção. A propriedade social é o melhor espaço, inclusive, para a discussão sobre a saúde e vida dos trabalhadores, na qual o direito de parar o trabalho é parte integrante. E isto já estava em pauta nas estatais como na Petrobrás com o início da luta sobre o direito de recusa a trabalhar em condições que expõem a saúde e a vida. A facilidade que a China encontrou para parar o trabalho e evitar o contágio é, também, resultado de relações sociais de propriedade industrial que podem prescindir da mais-valia. A lição da ciência é que a indústria não pode ser regulada pelo mercado, sendo obrigatório o controle social da industrialização sem os parasitas, que contaminam tudo. Por isso, têm razão todos que dizem, mesmo na última hora, que o capitalismo é incompatível com a democracia. Só falta concluir que não é possível democratizar o capitalismo e que a luta por democracia precisa ultrapassar os ritos instituídos pelos parasitas. 

Nesse barco tem lugar, tanto para gente que viu o pandemônio chegando, como para quem só quer combater a COVID 19, porque as medidas e os métodos necessários são os mesmos. Na verdade, nenhum de nós precisa ficar para trás, só os parasitas. E é fácil reconhecê-los, pois eles são a minoria numérica e o risco maior que representam é o de serem capazes de contaminar numa velocidade mais rápida que a do corpo social ao se defender contra eles. Daí, decorre que a evolução política para a criação de células coletivas de autodefesa é uma das características de corpos políticos sadios, capazes de dar resposta a situações adversas, criando relações políticas e sociais não parasitárias sobre os corpos e as horas dos militantes, pelo menos para começar. A solidariedade na defesa da militância, principalmente os perseguidos pelos parasitas, ocupa assim, o lugar de paradigma de uma transição que inclui a decisão de militar como um ato de liberdade.

Esse conjunto de problemas que envolvem as analogias permitidas pela física social tem se mostrado muito adequado e guarda relação com a dialética da natureza. De fato, períodos de transição ensejam toda uma dialética entre novos e velhos paradigmas, nos quais o paradigma moribundo faz de tudo para se justificar, inclusive, se utiliza da ciência para construir as bases ideológicas para uma contrarrevolução científica, que retoma um modelo civilizatório pré-industrial em todos os sentidos, recuando sobre o que já se sabe sobre estrelas, planetas, vermes e germes. 

Para se orientar durante um período de transição é preciso de um programa que transite do paradigma atual para o futuro. Nenhum paradigma cai se não for substituído por outro. Organizar a transição entre um e outro passa também por formas políticas inteligentes que possam, também elas, transitar com o menor risco de se contaminar pelos parasitas. A unidade indissociável entre auto-organização e autodefesa é um dos aspectos da dialética da transição e isto coloca desafios imensos na construção do partido. O blog Ciência & Revolução é um esforço para preservação dessas conquistas teóricas e, com isso, contribui para manter a tradição de unidade dialética entre ciência e revolução, da qual decorre a defesa da Ciência, em geral, como condição para derrotar a contrarrevolução. A contrarrevolução, neste caso, é o conjunto de fenômenos de parasitismo ou negacionismo anticientífico que saem em defesa de um paradigma que não responde aos problemas da humanidade, como a propriedade privada na indústria. E a infectação contrarrevolucionária se entranha nos discursos num amplo espectro de aspectos cotidianos e políticos e isto tudo já está sendo mapeado. Mas como diria Marx, os filosófos já interpretaram o mundo, resta transformá-lo.

Os problemas seguem os mesmos e o atraso da humanidade em tirar os parasitas do controle de seu processo produtivo é o problema do socialismo no mundo todo. A indústria humana deve ser voltada para as vidas e não o contrário. A liberdade de um indivíduo realizar seus desejos com a venda das suas horas de trabalho obviamente parece mais possível quando as condições mínimas de saúde, transporte, educação, alimentação, moradia e higiene não são privilégios de poucos. Se um mundo sem parasitas é um desejo mais que justo, a ciência também diz que eles sempre aparecem e se manifestam em infecções oportunistas. Então, que aprendamos a nos imunizar, porque a verdade é que eles não fazem falta nenhuma.

Comentários

  1. Uma analogia brilhante. Lembrou-me o 'ovo em pé': todo mundo tinha que saber, por óbvio, mas ninguém verbalizou que Dilma foi enfraquecida pelos golpistas, pelos oportunistas que se proclamam esquerda e pela cegueira cômoda de tantos para ser possível aos parasitas minar sua força e derrubá-la, abrindo passo à sanha do capital. O que corrobora que não é factível, em nosso tempo, um capitalismo 'melhorado', 'civilizado'. Toda ilusão quanto a isto será mais um flanco aberto num corpo que precisaria desenvolver defesas coletivas, corajosas e eficazes.

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    1. Obrigada pelo retorno, companheira, e, principalmente, pelo bom combate contra as ilusões. Acreditamos que a analogia apresentada pela autora não seja apenas retórica, mas fundamentada pelos principios dialéticos esboçados em obras antigas e pouco aprofundadas nos dias de hoje como a "dialética da natureza" e "materialismo e empiro criticismo" que o Círculo vem discutindo.

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