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Editoriais sobre as condições objetivas e subjetivas da situação política internacional e sua influência no Brasil

4 anos de GOLPE: a causa do colapso sanitário e alimentar brasileiro durante a pandemia


Em 17 de abril de 2016, era aprovada no Congresso Nacional a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff numa sessão com requintes de sadismo que deixou o Congresso a nu e parte da população em estado de choque com as declarações de voto de uma horda de comensais da morte que sequer se referia aos melhores interesse de seus eleitores. O processo de impeachment consistiu num rito burocrático que incriminava Dilma, por ter pago em dia programas sociais, como fiscalmente irresponsável.

Antes deste dia, com papel determinante da Rede Globo e demais membros do PIG, partido da imprensa golpista, se criou um clima de que o PT era corrupto e que esta corrupção estava tirando dinheiro do povo e que, portanto, se algo estava dando errado no Brasil a culpa era do PT. Processos forjados para incriminar o PT tornaram juízes "pop stars" em cadeia nacional, primeiro Barbosa, depois Moro.

Para a juventude que tinha se alimentado melhor e estudado mais durante a primeira década dos governos petistas, porém, havia outros problemas a resolver, como o alto custo do transporte urbano, a violência policial, a falta de oportunidades de primeiro emprego, a falta de acesso no serviço publico ao aborto seguro, falta de médicos nas areas populares. Mal sabiam estes jovens que nem as conquistas da era petista estavam garantidas. Viam corretamente o que faltava, mas não sabiam o preço que tinha sido pago para conquistar o que já tinham: construir um partido e decidir governar para tirar o país do mapa da fome, mudar a curva de investimentos na saúde, na educação e no salário mínimo. É verdade que nada disso tinha implicado numa redução dos lucros dos bancos ou dos grandes capitalistas. Quem governava tentava agradar todo mundo sem criar crises. Mas os de baixo queriam mais, queriam o que é seu e que estava sendo impedido pela manutenção do lucro dos donos das companhias de transporte, lucros dos planos de saúde, lucros dos bancos, lucros do trafico internacional de drogas, das grande majors do petróleo, das grandes corporações do Império. Os sinais que a prosperidade keynesiana do período petista estava chegando ao fim, porém, estavam bastante claros e o departamento de Estado dos EUA já estava com um plano golpista em andamento para aplicar quando a popularidade do PT no governo começasse a cair.

O mundo entrou numa  profunda crise econômica em 2008. Não era uma marola, era um tsunami. O governo Lula conseguiu colocar um dique que impediu a devastação que teria ocorrido caso se continuasse aplicando a política econômica dos governos FHC. Mas internacionalmente a crise econômica profunda não podia manter as margens de lucro, sem aumentar a conta sobre os mais pobres. E o pequeno enriquecimento material e intelectual das classes de baixo deveria ser confiscado. Como sempre, nos golpes latino-americanos, órgãos federais dos EUA ativam sua rede de recrutamento no aparelho repressor dos estados, como militares, procuradores e juízes e colocam em marcha a dinâmica de destituição de governos populares e nacionalistas. Espionagem dos presidentes, premiação de delação que passaram a ser consideradas provas, tudo isso estava em andamento com os aplausos criminosos da mídia oficial e a participação ativa da FIESP que operou as malas de dinheiro para comprar os parlamentares que aprovaram o impeachment. "Com o Supremo com tudo"

E desde então se aplica no Brasil um verdadeiro ataque a todos direitos, que corresponde a uma ditadura fiscal que tira dos pobres para dar aos ricos. E ainda chamam isso de responsabilidade fiscal.
Seria engraçado se não fosse trágico. A atual pandemia de covid-19 mostra exatamente que não se pode aplicar esta responsabilidade fiscal que o golpe exige sem ser irresponsável com as vidas humanas. Todos os anos o planeta registra cerca de 200 epidemias e só um sistema publico e gratuito de saúde pode ser dimensionado para atender bem todo mundo e não apenas quem pode pagar. Só investimento sanitário e em moradia pode garantir condições de higiene para que as pessoas se protejam de doenças. A responsabilidade do estado deve ser com a vida do povo e não com o rendimento de aplicações financeiras.

Para os capitalistas tudo é uma aplicação financeira com o objetivo de obter mais capital do que o que foi investido. A crise de 2008 mostrou a falta de lastro de muitos capitais circulando no planeta. Uma semana antes dos Estados Unidos começar a tomar medidas contra a pandemia, 1,3 trilhões tinham evaporado da Bolsa de NY, por causa do choque do petróleo. A crise que já era profunda foi mais aprofundada ainda pela pandemia. Mas os capitalistas seguem precisando ampliar seu capital, não porque são más pessoas, alguns são até filantropos, mas porque é assim a natureza do capitalismo. E para ampliar o capital é preciso reduzir os custos do trabalho, é preciso pagar menos impostos, é preciso que as bolsas tenham estabilidade, é preciso que os trabalhadores não fiquem em isolamento social em casa e é preciso limitar os gastos públicos para continuar patrocinando o banquete no andar de cima. Por isso é preciso mentir e colocar a culpa no PT ou na China.

Mentem os que ocupam o lugar de governo, mente o parlamento e mente o judiciário, como se viu emseção virtual antes de começar a pandemia, na qual o STF negou o mandado de segurança impetrado por Dilma que qualificava seu impeachment como um golpe. Dilma soltou um contundente documento contestando esta decisão. Dilma está certa. O movimento que recuperará para a maioria do povo brasileiro o controle dos recursos de seu país seja para enfrentar a pandemia ou suas consequências terá que reestabelecer a verdade de que o Golpe, imperialista, foi uma traição nacional.

Numa live no dia de hoje, Lula, disse em tom de brincadeira "fora corona virus". Estamos com ele contra o vírus e todos os parasitas que colocam obstáculos a volta do PT ao governo para aplicar a responsabilidade com a vida dos mais pobres.





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